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Narciso
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Palavras de um jovem psicólogo  Empty Palavras de um jovem psicólogo

em 29/1/2020, 11:00
Bom dia a todos.
Meu nome é Narciso, sou psicólogo, tenho 28 anos de idade e cá estou eu.
Comecei a entrar em contato com materiais de cunho pornográfico quando criança, através do meu tio, que claramente era viciado em pornografia. No seu quarto haviam volumes e mais volumes das revistas "Playboy" e "Sexy", além de vários VHS. Me lembro de dar play em uma das fitas com alguns amigos e amigas e ficar horrorizado com o conteúdo exibido na tela da TV. Não dei mais play nas suas fitas depois disso, porém continuava a entrar no quarto (sem o seu consentimento, diga-se de passagem) pra bisbilhotar as suas revistas. Vez ou outra eu e um amigo de infância íamos ao banheiro com algumas revistas e começávamos a nos masturbar - eu a mim e ele a ele. Nós estávamos no início da puberdade. Esse amigo ejaculava, eu não. Eu ficava observando-o se masturbar e tinha desejo de tocá-lo - o que não acontecia. Meu desejo apontava mais para os corpos masculinos do que para os corpos femininos. Eu não tinha ficado com nenhum rapaz até então, a não ser nas clássicas experiências de troca-troca que comumente acontecem quando estamos descobrindo nossos corpos.
Meu tio passou a sentir falta de algumas revistas, que eu levava para casa e depois devolvia. Poucos meses depois eu mesmo comecei a adquirir os meus volumes e enchi as paredes do meu quarto com imagens de corpos de mulheres nuas. Porém o meu desejo realmente apontava para os corpos masculinos. Certa feita, com um celular muito precário, destes primeiros fabricados com a tela colorida, consegui baixar um vídeo da "G Magazine". Como eu amava aquele vídeo... Não havia sexo, apenas homens nus. Fui descoberto por uma amiga, que viu o vídeo e denunciou o conteúdo a minha irmã. Fiquei bastante constrangido, como era de se esperar. Tinha 12 anos na época. Meu primeiro beijo com uma pessoa do mesmo sexo se deu aos 13 anos e eu fiquei profundamente apaixonado. Minha família tomou ciência do ocorrido (eu não soube esconder) e nós fomos obrigados a nos afastar. Ele tinha 17 anos na época e eu me sentia constrangido e despreparado quando ele vinha falar de sexo comigo. Comecei a me masturbar neste período da minha vida. Passava um tempo considerável no banho e sempre me masturbava, no chuveiro ou no vaso. Era algo triste e solitário, ainda que fisiologicamente prazeroso... neste mesmo período descobri alguns sites de pornografia na internet. É possível que eu tenha os acessado quase que diariamente, porém eu não sabia dos "benefícios" da guia anônima na época e toda essa informação ficava registrada no histórico do computador, que certamente era acessado pelo meu pai. Eu passava horas no computador, numa sala escura e com as janelas fechadas. Vale lembrar que eu tinha uma conta no Fotolog, fazia uso do Orkut e do MSN e vez ou outra eu me masturbava com um "amigo" na webcam.
Comecei a namorar com um rapaz aos 16 anos e ambos fazíamos uso de materiais pornográficos, separadamente. A relação era atravessada por esse tipo de material, ainda que nós não assistíssemos juntos. Rompemos quando fiz 18 anos. Neste período o uso da pornografia caiu bastante, até que aos 19 anos eu dei início a um novo relacionamento. Passei a assistir menos materiais de cunho pornográfico nesta relação, mas ainda fazia uso. Rompemos após 2 anos e 11 meses de uma boa relação. Eu estava apaixonado por um amigo de infância, afinal, e as fantasias sexuais que eu nutria por ele estavam influenciando diretamente o meu relacionamento, além do desejo de experimentar outros corpos e outras relações. Eu era um graduando de Psicologia e frequentemente beijava várias pessoas, dentre homens e mulheres, num mesmo rolê. Não raramente eu transava com uma dessas pessoas.
Tive vários parceiros e parceiras sexuais entre os 18 e 28 anos e frequentemente não fazia uso de preservativos nas minhas transas. Fazer exames de IST/AIDS tornou-se algo rotineiro e angustiante.
Comecei a frequentar uma igreja aos 24 anos e nós praticávamos a abstinência sexual durante duas semanas por mês, de forma intercalada. Assim eu passei a: transar menos, me masturbar menos e diminuir drasticamente o acesso a materiais de cunho pornográfico. Me lembro de, certa feita, estar transando com um rapaz e não sentir o prazer sexual que estava acostumado durante a transa. Era como se eu estivesse desabastecido mentalmente de imagens que potencialmente me fariam sentir prazer naquela transa. Associei isto ao fato de não estar assistindo pornografia na época.
É possível que eu tenha objetificado os homens neste período. Eu me lembro de olhá-los com aquele mesmo olhar invasivo que vários homens olham as mulheres na rua, sabe?
Neste mesmo período em que eu estive na igreja, aos 25 anos, eu tive a minha primeira experiência sexual com o corpo de uma mulher. Fiquei maravilhado. Depois disso embarquei em uma relação com uma graduanda em veterinária. Ficamos juntos por um curto período de tempo, porém foi o bastante pra que eu me percebesse apaixonado. Assim eu descobri a minha bissexualidade.
Os corpos masculinos já não me atraiam tanto. Era comum ficar algo em torno de 2 meses sem me masturbar. Eu realmente não tinha apetite sexual. Pornografia? Fiquei dois anos sem consumir este tipo de material. Voltar a ficar com rapazes, depois de um ano e meio sem me relacionar com eles, foi um desafio. Percebi o quanto o meu desejo e atração pelos homens vinha associada a pornografia, o que não se dava com as mulheres, embora eu também tenha assistido materiais pornográficos em que elas se faziam presentes.
(Continuo num próximo relato...)

Ps. Abri este mesmo diário noutra sessão, mas acredito que possa vir a encontrar mais acolhimento aqui, por estar entre pares.
Desejo uma boa leitura a todxs, bora nos auxiliar. Beijão
Narciso
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Palavras de um jovem psicólogo  Empty Re: Palavras de um jovem psicólogo

em 29/1/2020, 16:51
Continuando...

Depois desta jornada com algumas mulheres (eu me relacionei sexualmente com três, no total) eu finalmente voltei a me relacionar com rapazes. Houve um estranhamento no início, mas eu logo me acostumei. Comecei a afrouxar o meu laço com a igreja e diminuir a minha participação nos trabalhos e percebi que me sentia muito culpado sempre que me relacionava sexualmente com alguém nos dias de abstinência. O afastamento da igreja foi algo importante e foi nesse bojo que eu voltei a me relacionar com o meu último namorado, depois de 4 anos que estivemos separados. Nós ficamos juntos por 1 ano e 3 meses e somos amigos até hoje. Eu não voltei a me relacionar mais, sexualmente, com mulheres. Eu gosto de mulheres. Gosto de homens também e tenho propriedade em dizer que sinto mais atração sexual por homens do que por mulheres, embora ambos me satisfaçam sexualmente. Não sei mapear ao certo a participação e a influência da pornografia em tudo isso, mas sei que ela deixa as suas marcas. Eu voltei a fazer uso de materiais pornográficos recentemente, mas não faço o mesmo uso que fazia anos atrás. Ainda sim, acredito que seja algo de cunho patológico, visto que... eu percebi que comecei a me esquecer como é ter o corpo de outra pessoa junto ao meu, sabe? E quando eu me toco assistindo a um material pornográfico a ejaculação é certa, mas ela vem desvinculada de uma satisfação sexual. O gozo vem praticamente pronto. Eu sinto saudades de ter outra pessoa junto de mim. Percebo que quando estou ocupado a minha quantidade de acesso a sites pornográficos tende a ser menor, que quando estou ocioso tendo a aumentar a quantidade de acessos - que não passa de um por dia - que não há sofrimento quando eu me afasto deste tipo de material e que é mais gostoso gozar lançando mão da minha imaginação. Enfim... Já tem um tempo que eu quero parar e estar em relação com uma outra pessoa, sabe? Sinto que tem sido mais desafiador em tempos de Tinder e Grindr, mas sei que isto é algo possível. Sendo bissexual, encontro alguns desafios... que é de encontrar parceiros ou parceiras que também sejam bissexuais, que não encarem esta orientação sexual como algo pecaminoso e/ou que não se importem nem sintam-se inseguros com a minha sexualidade. Fico com a impressão de que na medida em que a pornografia (que aqui representa o virtual) sai de cena, um parceiro ou parceira (pessoas reais) podem vir a "ocupar o seu lugar", sabe?
No último final de semana eu recebi um bolo de um rapaz que eu gostaria muito de encontrar e que se compromete a vir ao meu encontro. Ele não apareceu, não deu notícias e não respondeu as minhas mensagens. Dias depois eu dei match com um cara no Tinder e logo ele pediu a minha conta no snapchat. Trocamos fotos e vídeos e logo percebi que as fotos apresentadas por ele no Tinder não eram da mesma pessoa que estava trocando imagens comigo no Snapchat. Tudo isto se deu ontem a noite e esta é uma das razões pelas quais eu estou aqui. Estou farto de virtualidades, sabe? Quero encontros reais com pessoas reais. E ouso dizer que quero, um dia, casar e ter filhos, seguindo o script padrão de muitos casais heterossexuais.
Bom, agradeço demais a partilha. Entendo que só escrever e dar lugar as coisas já se configura como uma espécie de resolutividade. O nome em questão é fictício, o que não faz que o relato seja menos sincero e que a minha implicação ao redigí-lo seja menor.
Estou disponível pra trocas de ideias, sejam elas quais forem, e deixo um abraço a quem chegou até aqui.
Rene.Gade
Rene.Gade
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Palavras de um jovem psicólogo  Empty Re: Palavras de um jovem psicólogo

em 29/1/2020, 17:44
Olá Narciso!

Seja muito bem-vindo ao fórum! Você possui uma longa história com a P e realmente ela nos prejudica em vários aspectos, muitas vezes sem que nós percebamos. Eu espero que você possa encontrar apoio aqui no fórum para sua nova jornada. Eu penso que o vício é justamente isso que você mencionou, ficar preso em meio ao mundo virtual, em experiências irreais que dessensibilizaram nosso cérebro para o prazer real. Procure seguir os métodos do fórum, buscar atividades que substituam o vício, como exercícios físicos, aprender algo novo, ler, tocar um instrumento, etc, algo que você goste e que te forneça um prazer saudável.

Aqui embaixo deixo alguns links importantes para o fórum:

Certifique-se de ler as normas por meio das Regras de Participação e das Proibições.

Para saber mais sobre o método proposto confira dúvidas básicas sobre o reboot e vício em PMO, além disso baixe o Guia Introdutório, que servirá como suporte para entender o processo de reboot, dentre outras informações importantes.

Lembre-se de estar instalando bloqueadores de P nos seus dispositivos e colocando um contador de dias na sua assinatura aqui, para te auxiliarem durante seu processo de reboot. Para instalar bloqueadores você pode seguir os tutorias dos Tópicos Recomendados, e se ficar com alguma dúvida dê uma olhadinha na Seção de Ferramentas e Bloqueadores. Para instalar um contador confira Como Instalar um Contador de Dias.

Para mais informações ou falar com a moderação visite a Seção de Orientações Básicas, e para alguma dúvida sobre o método procure, ou pergunte, na Seção de Dúvidas.

Não se esqueça de nos manter atualizados sobre seu processo aqui no seu diário.

Espero que dê tudo certo na sua jornada e que tenha um excelente reboot!

Até maais!

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Palavras de um jovem psicólogo  Empty Re: Palavras de um jovem psicólogo

em 29/1/2020, 20:52
Seja bem vindo Narciso!
Sua história é muito interessante.
Estarei acompanhando conte comigo e vai nos informando de quantos dias está sem PMO.
Não sei se estou certo mas não senti muita firmeza em vc. Vc quer mesmo largar o vício de PMO? Você disse que vÊ apenas 1 vez por dia... Cara 1 vez por dia é muitaaaaaaa coisaaaaaaaaa é um tremendo vício.
Abraços!

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em 2/2/2020, 23:00
Tudo bem, cara?
Tbm estou iniciando minha recuperação. Sou novo por aqui. Estou curioso em saber como tem sido os seus dias. Quais são suas maiores dificuldades?
Tenzin
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Palavras de um jovem psicólogo  Empty Re: Palavras de um jovem psicólogo

em 3/2/2020, 22:20
"É possível que eu tenha objetificado os homens neste período. Eu me lembro de olhá-los com aquele mesmo olhar invasivo que vários homens olham as mulheres na rua, sabe?"

- Sim, eu sei.


Você não está só.

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Palavras de um jovem psicólogo  Empty Re: Palavras de um jovem psicólogo

em 7/4/2020, 20:18
Estarei acompanhando sua evolução por aqui, achei a sua história parecida com a minha.
Forças aí!
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