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Mas, afinal, quem é Vimes? Empty Mas, afinal, quem é Vimes?

25/7/2021, 18:42
(separei esse relato em partes por causa do tamanho, dependendo do que você procura ler por aqui, pule para as próximas partes)

Mas, afinal, quem é Vimes?

Vimes é um inútil, um pé rapado, um cachaceiro, um zé ninguém, alguém desprezado por todo mundo que o conhece. Personagem do genial Terry Pratchett, Vimes é um frustrado capitão da guarda da cidade de Ankh-Morpork, enorme cidade-estado que existe no Mundo Disco. A cidade é controlada e organizada pelo Patrício, um regente que criou um sistema em que a ordem é mantida não pela Guarda da Cidade, mas por guildas, como a Guilda dos Ladrões ou a Guilda dos Assassinos, que controlam e gerenciam o crime. Dessa forma, todo crime não autorizado é resolvido pelas próprias guildas (normalmente de maneira definitiva) e a criminalidade da cidade se mantém em um nível tolerável.

O sistema de Ankh-Morpork pode parecer estranho, mas funciona. Ladrões não podem roubar sem autorização, assassinos devem seguir à risca as regras de sua guilda (inclusive deixando uma nota fiscal no corpo do morto), até mendigos só podem mendigar da maneira que a guilda dos mendigos permite. O problema é que, nesse sistema, a guarda da cidade se tornou obsoleta para todos os efeitos. Uma organização simbólica, inútil, um fóssil remanescente de outros tempos, que se encontra impedida de fazer seu trabalho e não serve pra mais nada.

Vimes, um sujeito ácido, sarcástico e amargurado, é um guarda que, por lei, não pode prender ninguém. É alguém que vê tudo de errado acontecendo à sua volta sem poder fazer o que considera certo. Passa, então, suas noites fazendo rondas sem sentido, bebendo e fingindo não ver nada, e gasta todo o seu tempo livre se embriagando para evitar pensar na piada em que sua vida se tornou. Impedido de ser quem ele nasceu pra ser, Vimes é um homem frustrado pela situação em que tanto ele quanto seus poucos homens restantes acabaram. A vida era injusta e sem sentido. O álcool era seu único amigo restante.

Isso até o dia em que um enorme dragão é misteriosamente convocado pra atrapalhar tudo. De tempos em tempos ele aparece para destruir partes da cidade, causando pânico e histeria. Ninguém sabe o que fazer, o sistema do Patrício começa a desmoronar, demonstrando não ser funcional em condições adversas, e a cidade aos poucos começa a rumar para o caos. Um usurpador aparece como auto-proclamado salvador e toma o poder do Patrício, mas no fim não consegue resolver o problema. Aos poucos a situação piora e ninguém, nem os chefes das guildas, sabe o que fazer com o dragão. A cidade mergulha em um caos total.

E lá está o pobre Vimes, com o que restou da inútil guarda da cidade, bem no meio de tudo e sem ter a mínima ideia do que deveria - ou poderia - fazer. Vimes, ainda bêbado, se sente no fundo do poço, mas a cidade precisa dele. Mesmo perdido e completamente sem direção, Vimes é, em sua essência, um policial. E Vimes começa a fazer o que um policial sabe fazer - começa a tentar descobrir quem é o culpado de tudo.

Sentindo enorme insegurança a cada passo, Vimes aos poucos começa a fazer progresso, aos poucos começa a sentir que está retomando o controle. Retomando o controle não apenas da Guarda da Cidade, não apenas de seus homens, mas também de sua própria vida e de seu próprio destino. Fazendo grande esforço para deixar de beber, já que a cidade precisa dele sóbrio, Vimes vai, aos poucos e tropeçando diversas vezes pelo caminho, retomando a cidade do falso salvador, vai salvando cidadãos, restaurando a ordem, desarticulando conspirações, prendendo culpados, restituindo a cidade aos seus tempos de paz.

Sentindo pela primeira vez em anos e anos uma força interior que nem se lembrava de ter, Vimes não consegue mais parar. Restitui o Patrício ao poder, ganha promoções, reestrutura e expande a Guarda da Cidade, inspira sues soldados e transforma a Guarda na organização mais forte e importante de Ankh-Morpork, uma organização que deixa de ser uma piada e passa a ser respeitada e temida por todos. Até mesmo pelas poderosas guildas que, pela primeira vez em anos e anos, perdem a liberdade de fazer o que querem sem consequências. A simples frase "o comandante Vimes não vai gostar nada disso" já é suficiente para que tanto plebeus quanto aristocratas pensem duas vezes antes de fazer algo errado.

Vimes se transforma, livro após livro, num personagem monstruoso. Um comandante justo e extremamente eficiente, que inspira confiança e lealdade em seus homens. Vimes inspira respeito até mesmo em seus inimigos e no próprio Patrício, inspira respeito até entre os poderosos líderes das guildas, é temido inclusive pelo líder da Guilda dos Assassinos. Vimes se torna um homem com tanta presença que você vai fazer de tudo pra evitar atravessar o seu caminho.

E ele era um inútil. Um pé rapado. Um cachaceiro. Um zé ninguém.

A pergunta que fica no ar é: Vimes se tornou um personagem monstruoso por causa das circunstâncias?

Ou será que Vimes sempre foi um personagem monstruoso, sempre foi um gigante, mas que vivia em uma situação frustrante que o fazia se sentir obsoleto, inútil, pequeno?

O caos da cidade fez com que Vimes crescesse como personagem?

Ou apenas fez com que ele se lembrasse de quem era, da força que tinha, do potencial que sempre esteve com ele, mesmo em seus momentos mais baixos?

Vimes é um dos personagens mais bem construídos que eu já conheci, sua força interior é absurda de tão forte, é um monstro literário em tantos diferentes sentidos. E é tranquilamente o meu personagem literário favorito, um exemplo a ser seguido, um ícone, uma paixão pra vida toda. E não é difícil entender o porquê.

Assim como Vimes, eu tive meus momentos de fundo do poço, de tempo perdido, de me sentir obsoleto, inútil, imprestável. Vocês provavelmente sabem muito bem o que é. Aquele peso de sentir que você não serve pra muita coisa, que não é forte o suficiente, que não tem determinação o suficiente, que não é esforçado o suficiente. Aquele viver em uma situação que te mostra todos os dias os tantos fracassos que fazem parte de quem você é.

Muita gente aqui vai dizer que essa coleção de fracassos pessoais é o que nos leva ao vício em PMO, ou que o vício em PMO nos leva ao fracasso. Um vício traiçoeiro, que joga a gente lá pra baixo e faz de tudo pra que a gente não consiga subir. Um vício que rouba o nosso tempo, a nossa vitalidade e a nossa dignidade.

Nunca foi assim que eu enxerguei. Não foi o vício que me fez fracassar tantas vezes. Vimes nunca foi cachaceiro por ser inútil, pé rapado, um zé ninguém. Vimes não bebia até cair porque era fraco, por não ser bom o suficiente. Vimes foi um cachaceiro porque sua vida era uma merda, porque não conseguia encontrar sentido para continuar vivendo. Porque as circunstâncias à sua volta o haviam feito esquecer quem ele era. A partir do momento em que reencontrou seu propósito e sua vida voltou a ter direção, o alcoolismo começou a perder o sentido.

Por causa disso o meu objetivo, desde que eu comecei a luta contra o vício, nunca foi simplesmente bater o vício e pronto. Sempre foi mudar a minha vida e encontrar uma direção. Mudar o que eu faço, como eu faço, mudar meus hábitos, seguir minhas paixões, trabalhar com o que gosto, aprender a lidar com frustração e sentimentos ruins, compreender o que me faz mal (e o porquê me faz mal) e compreender o que me faz bem.

Quando Vimes deixou de se sentir um inútil, ele se revelou um gigante e o alcoolismo perdeu o sentido em sua vida. Quando eu deixei de me sentir um inútil, eu comecei a enxergar a minha vida de outra forma, e o vício em PMO aos poucos perdeu a força, até o ponto em que simplesmente não é mais um problema do dia a dia. Eu não preciso mais lutar contra o vício - apenas preciso manter a guarda alta pra não fazer besteira.

Exatamente por isso eu nunca senti que o vício em PMO me define. Sim, eu sou um viciado, mas não é só isso que eu sou. Eu também sou um cara boa gente, inteligente, articulado, talentoso, idealista, sonhador. Um filósofo, um cientista, um explorador, um boêmio, um sociólogo, um lutador. Eu sou muita coisa, como todos nós aqui somos. O viciado em PMO é apenas uma entre tantas e tantas características. O vício tem o estranho poder de nos absorver e nos fazer esquecer de tudo o que a gente é. Mas ele não tem o poder de fazer com que a gente deixe de ser o que é.

Algo que eu aprendi nos meus piores momentos: nunca, NUNCA se esqueça de quem você é. Estar na merda não é o mesmo que ser a merda. Você pode estar no fracasso, mas isso não significa que você seja o fracasso. Entender a diferença entre ser e estar geralmente é boa parte da solução.

O autoconhecimento deve ser a fundação de todos os seus esforços, sempre. Não por acaso é a frase que sempre esteve lá embaixo na minha assinatura. Entenda, claro, o seu inimigo. Mas ao entendê-lo nunca se esqueça, acima de tudo, de entender a você mesmo. O comandante que atingir essa totalidade em batalha vencerá, mesmo com uma força inferior.

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Mas, afinal, quem é Vimes? Empty Mas, afinal, quem sou eu?

25/7/2021, 18:56
Prazer galera, eu sou o Danilo, um sujeito de 43 anos que trabalha com entretenimento em hotéis pelo mundo. Por que resolvi revelar a minha identidade secreta? Por dois motivos:
- O primeiro porque se você não me conhece pessoalmente, meu nome é irrelevante. Mas se você me conhece, poderá descobrir facilmente quem eu sou simplesmente ao ler o meu diário, não vai precisar descobrir aqui.
- O segundo é que, se você está aqui, tenho más notícias, amigão... você tem tanto a esconder quanto eu. Very Happy

Como praticamente todo viciado em PMO da minha idade, eu comecei a minha carreira de descascador na adolescência, com as revistas pornô dos anos 90. Daí alguns anos depois veio o paraíso do viciado em PMO, a internet, e sua versão VIP, a banda larga. Daí pra frente o vício se tornou literalmente o meu cotidiano.

Comecei a entender as consequências do vício sozinho, mais ou menos uns dez, doze anos atrás. Sempre tive dificuldade de respirar e comecei a notar que, por alguma razão, minha respiração piorava quando eu fazia sessões de PMO. Comecei a prestar atenção no meu corpo, e notei que a PMO trazia as diversas consequências que todo mundo aqui conhece bem. Falta de disposição, de concentração, menor força muscular, menor resistência, menos vontade de socializar, etc., etc.

Como eu gostava muito de PMO e não queria parar, comecei a buscar a causa, razão, motivo ou circunstância das estranhas consequências. Fui atrás de um psicólogo, já que muito provavelmente (pensava eu) em algum ponto da minha vida a minha mente tinha feito alguma associação esquisita entre a minha sexualidade e algum sentimento ruim ou lembrança escrota. Descobrir a causa psicológica poderia ajudar resolver o problema.

Mas esbarrei num problema extremamente comum no mundo moderno: a psicóloga, apesar de muito boa e de ter me ajudado em outros lances, não fazia a mínima ideia de qual fosse o problema. Dava pra ler claramente na cara dela quando eu contei o que acontecia comigo. Uma atividade tão saudável, como a masturbação, não devia ter efeitos tão adversos. O problema obviamente devia ser outro, algo que não tivesse nada a ver com ela. Pois é, ela não tinha como me ajudar. E logo ficou claro que nenhum psicólogo parecia ter como me ajudar.

É um problema da psicologia moderna: Após décadas de confronto com fundamentalistas religiosos pentelhos, que diziam que se tocar é um super pecado, após décadas lutando pra tirar o estigma da masturbação, a psicologia ainda está bem atrasada sobre o que vive do outro lado do problema - o excesso.

Buscando entender melhor o problema na internet acabei encontrando, por um mero acaso, este belo fórum. Daí as coisas foram ficando muito, muito mais claras. Eu não tinha um problema psicológico associado com a saudável prática de PMO, afinal. Não, o problema era a própria PMO. Eu não tinha um hábito saudável que me trazia problemas, eu tinha um vício que me trazia sérias consequências físicas, mentais e sociais.

Conhecer o problema é metade da solução. Daí pra frente o objetivo de me livrar da PMO ficou claro, então eu comecei a luta pra combater o vício e, o mais difícil, mudar a mim mesmo. Cheguei longe algumas vezes. Falhei miseravelmente em diversas outras. Tentei fazer tudo por conta própria, como muitos de nós. Mas aos poucos fui compreendendo minhas falhas e fraquezas, e tudo o que dificultava o combate ao vício.

Criei meu diário após uma queda desastrosa, já que ficou claro que o combate solitário não ajudava nem um pouco. Comecei a usar bloqueadores após outras quedas deixarem claro que eu ficava muito vulnerável sem eles. Aprendi a aceitar meus limites e minhas dificuldades e - o mais importante - aprendi com cada uma delas. Acabei, aos poucos, aderindo completamente ao método, mesmo preferindo não precisar.

Não é nem um pouco agradável admitir pra mim mesmo que eu preciso de um diário pra compartilhar a minha história. É menos agradável ainda admitir que eu não tenho força de vontade suficiente pra viver sem bloqueadores. Mas admitir fatos consumados é algo muito, muito mais prático, muito mais funcional e muito mais realista do que viver em negação e continuar recaindo.

Hoje em dia sou um sujeito muito mais consciente sobre quem eu sou e o porquê de eu ser quem eu sou. Compreendi não apenas o vício, mas também o que me leva ao vício. Compreendi meus limites, meus problemas, meus gatilhos. E, principalmente, compreendi que sou um ser humano, que eu posso ter fraquezas, que eu não preciso ser um estereótipo auto-suficiente da masculinidade.

Passei dos quatro meses limpo, estou rumando para o quinto sem dificuldade nenhuma. Estou mais forte, mais racional, meu corpo melhorou, minha concentração melhorou, meu humor melhorou, meu aspecto físico melhorou, a atitude dos outros para comigo melhorou, minha vontade de socializar melhorou, literalmente tudo melhorou. Sou mais divertido e faço amizades com mais facilidade (é bem difícil ser popular se você não tem energia ou disposição pra socializar), trabalho melhor e dou menos mancadas profissionais (trabalhar sem disposição não vai te fazer ganhar o título de funcionário do mês), lembro melhor das coisas e mantenho a concentração com facilidade (se você passou horas lotando a sua mente com sacanagem, vai ser difícil focar em qualquer outra coisa) e faço exercícios sem dificuldade nenhuma.

Hoje, viver é bem mais fácil do que era ontem. E quanto mais fácil fica viver, mais pra trás fica o vício em PMO.

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Mas, afinal, quem é Vimes? Empty Dicas que podem te ajudar no combate ao vício em PMO

25/7/2021, 19:25
Esse é um compilado de dicas que eu aprendi a aceitar e incorporar no meu dia a dia. Elas podem fazer a sua luta contra o vício ficar bem mais forte. Quanto mais armas você tiver, mais fácil será enfrentar o inimigo.

- Faça exercícios do jeito certo


  • Se você planeja sair do ócio e começar a fazer exercícios, o que vai ser maravilhoso pra tua saúde, vai ter de entender alguns princípios fundamentais:

    1) Constância. Seu corpo é uma máquina de adaptação. O que você fizer repetidamente, ele vai se acostumar a fazer. Você acostumou o seu corpo a ficar sentado na frente do computador, vendo sacanagem. É exatamente isso o que ele está adaptado a fazer. A única, repito, a única forma de mudar isso e passar a fazer exercícios pode se resumir em uma única palavra: constância.

    Cortar a PMO e já fazer mil abdominais não vai te dar uma barriga tanquinho. Vai te dar câimbras, contrações e estiramentos, e vai servir pra absolutamente nada a não ser te fazer desistir e voltar correndo pro vício. Mas cortar a PMO e fazer meros dez, ou até mesmo cinco abdominais todos os dias vai fazer uma diferença monstruosa.

    Constância. O que quer que você decida fazer, você terá de fazer várias vezes, até o seu corpo acostumar. Correr será um inferno nas primeiras semanas. Vai ser moleza na quinta ou sexta. Cinco flexões serão uma tortura na primeira semana. Será a coisa mais fácil do mundo na terceira ou quarta. Até mesmo caminhar será um incômodo no começo. Mas seu corpo vai se acostumar e vai começar até a sentir falta de uma caminhada.

    Quando eu voltei a fazer flexões, depois que quebrei o punho, eu penava pra fazer míseras cinco. Era sofrimento puro e eu odiava cada segundo. Hoje em dia faço 96 flexões por dia sem dificuldade. Única e exclusivamente porque eu aguentei a parte ruim e dei tempo ao meu corpo pra que se acostumasse a fazer aquelas míseras cinco flexões por dia.

    2) Encontre uma atividade física que você goste. Exercício não tem que ser chato. Juro, não é um pré-requisito. Você odeia correr? Não corra. Você odeia academia? Não vá. Encontre uma atividade física que você goste, e a sua vida vai ficar muito mais fácil e divertida. Se exercitar será um prazer, não um sacrifício.

    E isso vale literalmente pra qualquer atividade física. Correr, caminhar, escalar, dançar, fazer artes marciais, nadar, yoga, musculação, aeróbica, parkour, pilates, o que quer que seja, não importa. O que importa é descobrir o que você gosta e colocar o seu corpo pra se mexer.


- Instale bloqueadores


  • Sim, você pode ter força de vontade suficiente pra viver sem eles. Sim, você pode ser um mestre faixa preta quarto dan do autocontrole. Existe uma pequena probabilidade disso ser verdade, e de você conseguir fazer o reboot mesmo com o computador desbloqueado.

    Mas também existe uma grande probabilidade de todo o seu autocontrole vir abaixo quando você for atingido por uma crise de fissura mais forte, ou quando alguma situação frustrante do dia a dia cair na sua cabeça como se fosse uma tijolada. Quando teu lado emocional apertar, malandro, você vai entender direitinho a diferença entre um simples mau hábito e um vício.

    Meu conselho pessoal: Não instale bloqueadores, porque você não precisa. Tente na raça mesmo. Falhe miseravelmente. Aprenda com as suas falhas. Admita pra si mesmo seus limites. Dê o braço a torcer e instale bloqueadores. Problema resolvido.


- Saia de casa


  • Os maiores amigos do vício são dois: frustração e tédio. Se você é um viciado, ficar entediado sem ter o que fazer vai levar a sua mente direto pro vício, sem escalas. Seja o seu vício o álcool, a cocaína ou a PMO, o tédio vai te fazer pensar automaticamente nele. Ficar em casa sem ter o que fazer leva qualquer um naturalmente ao tédio, o que aumenta a fissura, aumenta o risco de uma recaída e torna bem mais difícil segurar a onda.

    Quando a fissura apertar, saia de casa. Arrume o que fazer. Não importa o que seja, só arrume. Vá tomar um pingado na padaria. Vá comprar um doritos no supermercado. Vá dar uma volta na praça. Vá caminhar ouvindo música. Vá fazer o que quer que seja. Quando você corta o tédio, quando sai da mesmice, o combate ao vício fica mil vezes mais fácil.


- Não se culpe


  • Ficar se culpando leva automaticamente à frustração e ao desânimo. Sim, você perdeu tempo na vida. Eu sei. Você tomou péssimas decisões. Você fracassou, você mostrou ser fraco, você desmoronou quando a coisa apertou, você mostrou falta de aptidão, você escolheu o caminho mais fácil. Pois é, eu sei de tudo isso. Sabe por que eu sei?

    Porque você é humano, amigão. Humanos fazem merda. TODOS. Humanos são imperfeitos. Humanos são emocionais. Humanos erram, humanos avaliam mal, humanos se deixam levar, humanos escolhem o caminho mais fácil, humanos acham que estão certos quando estão errados e frequentemente batem a cara no duro muro da realidade.

    Aqueles caras que você vê como um ícone de sucesso? Eles fizeram as merdas deles também, tomaram péssimas decisões também, avaliaram mal também, fracassaram também. O que você vê é uma pequena parte dos seres humanos complexos que eles são. É a parte pública, que eles mostram com prazer. O que você não vê é exatamente a parte que eles não querem mostrar. É o humano por trás da figura social.

    Terry Crews é um ator de sucesso. É também um viciado em PMO que quase arruinou a carreira, aprendeu com os erros e se recuperou. Steve Jobs foi um empresário de sucesso. É também um fracassado que quase faliu a própria empresa por orgulho e péssimas decisões, aprendeu com os erros e encontrou um novo rumo. Diego Hipólito é um ginasta extremamente talentoso. É também um fracassado que treinou menos do que devia, cometeu erros grosseiros em duas olimpíadas (chegando a cair de cara em uma delas) e quase desistiu da carreira, mas aprendeu com os erros e conseguiu ganhar um pódio e uma medalha para seu país na olimpíada seguinte.

    Pare de perder tempo se culpando. Não pra passar pano pra você mesmo, nem pra se tornar um ser humano super zen ou algo do tipo. Não é isso. Não se culpe, simplesmente porque se culpar não é prático. Se culpar não te ajuda em absolutamente nada. Não te faz andar pra frente.

    Ao invés disso, aprenda com os seus erros. Aprenda que esses erros te dão a oportunidade de crescer, te dão novas perspectivas e novos conhecimentos. Você perdeu tempo? Tá, hoda-se, não importa, choramingar não vai fazer esse tempo voltar como que por encanto, nem vai fazer você mudar quem você era há cinco, dez anos atrás. O que importa, o que você pode fazer agora, é decidir qual rumo você vai tomar daqui pra frente. É o que você vai fazer com as lições que seus erros, fracassos e péssimas decisões te ensinaram.

    Você não tem como mudar quem você era. Mas pode sempre mudar quem você é.


- Socialize


  • Entenda de uma vez: não importa o quão introspectivo você seja, seres humanos são criaturas sociais, adaptadas a viver em comunidade. Estamos falando de pelo menos 300.000 anos de vida em comunidade. O que significa que quanto mais você ficar sozinho, mais vai sentir falta de contato humano. Entenda também que vícios levam à introspecção. Vícios te dominam e te fazem pensar só no vício. O vício em PMO, por exemplo, te leva a se afastar das pessoas, a curtir menos a presença delas, a ser mais irritável, menos comunicativo.

    Você pode não gostar de socializar, mas precisa socializar. Por uma simples questão de biologia. Não socializar vai te levar a compensar de formas artificiais, a fazer um social de mentirinha. No caso de viciados em PMO, não socializar vai te levar a chats de sacanagem, a webcams, a todo tipo de falso contato humano, em que você sente que está se relacionando com alguém, quando na realidade não está. Você sente que está falando com alguém, mas está falando com um microfone. Você sente que está brincando com alguém, mas está brincando com você mesmo e com um teclado.

    Conversar com os outros pode não ser fácil pra você, mas eu tenho boas notícias: socialização pode ser aprendida e exercitada, como praticamente tudo na nossa vida. Isso significa que quanto mais você socializar, mais fácil fica. Quanto menos, mais difícil fica. Que nem fazer exercícios físicos.

    Então arranje um jeito. Converse com gente que você vê por aí, como amigos do trabalho ou da facul. Visite parentes. Convide um amigo pra uma cerveja ou um café. Convide alguém pra sua casa. Mostre interesse na vida das pessoas. Converse. Junte-se a grupos (de capoeira, de boxe, de dança, de poesia, de literatura, o que quer que seja). Sinta que você está fazendo parte real da vida de outras pessoas, não simulando de forma artificial. Com o tempo tudo fica mais fácil e natural. Com o tempo socializar deixa de ser um esforço e se torna automático, muitas vezes até um prazer.

    Quanto menos sozinho você se sente, menos terá de preencher a sua vida com qualquer vício que seja.


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Mas, afinal, quem é Vimes? Empty Re: Mas, afinal, quem é Vimes?

25/7/2021, 21:08
Grande Vimes!!!

Estava aguardando esta História de Sucesso e que história e coragem meu amigo. Estou extremamente feliz por acompanhar o seu sucesso. Espero de alguma forma ter te apoiado e contribuído com isso.

Sobre quem é o Vimes, muito interessante a escolha deste personagem e reflete totalmente não apenas a você mas a todos nós, pois aborda todo o processo da luta contra a PMO, desde de estar totalmente de mãos atadas, como o desenvolvimento da força interna e externa para vencer "a bandidagem" e ser o senhor da própria cidade (nós mesmos). Tirei várias reflexões sobre a história, mesmo que resumida, deste personagem.

Ao que toca sobre sua história, a minha é um pouco diferente, pois primeiro encontrei o fórum e depois de quedas sucessivas, fui atrás da psicologia já com o foco e a ideia de parar com a PMO e para mim foi revolucionário, sendo hoje quase recebendo alta.

No mais, desejo muitas felicidades e peço que não abandone o fórum, você faz muita diferença aqui!

Grande abraço!!

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Mas, afinal, quem é Vimes? Empty Re: Mas, afinal, quem é Vimes?

25/7/2021, 22:18
Parabéns. Incrível sua história e dicas.
Obrigado.

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Mas, afinal, quem é Vimes? Empty Re: Mas, afinal, quem é Vimes?

27/7/2021, 13:55
Parabéns Vimes. Muito bom teu depoimento.
Inspirador!
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Mas, afinal, quem é Vimes? Empty Re: Mas, afinal, quem é Vimes?

28/7/2021, 07:17
parbat escreveu:Espero de alguma forma ter te apoiado e contribuído com isso.

Malandro, claro que ajudou! Eu digo sempre que um dos maiores benefícios desse fórum é o nosso companheirismo, é sentir que a gente não tá sozinho e que tem gente torcendo pela nossa vitória. Todas as tuas passagens lá no meu diário foram encorajadoras, e por isso eu sempre vou te agradecer.

O Vimes é fantástico, mas o que eu mais amo no personagem é que ele mesmo não fazia a mínima ideia de que poderia chegar tão longe. Ele mesmo se considerava um inútil. E ele mesmo se surpreendeu por ter tido tanto sucesso.

Um pouco como acontece com a maioria de nós por aqui, não é? Very Happy

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Mas, afinal, quem é Vimes? Empty Re: Mas, afinal, quem é Vimes?

28/7/2021, 07:20
Rottweiler escreveu:Parabéns. Incrível sua história e dicas.
Obrigado.

Valeu mano Rottweiler, foi muita cabeçada nos muros da vida pra aprender.

Cê tá com uma ótima marca, logo vai ter de escrever uma história por aqui também. Very Happy

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Mas, afinal, quem é Vimes? Empty Re: Mas, afinal, quem é Vimes?

28/7/2021, 07:26
and2021 escreveu:Parabéns Vimes. Muito bom teu depoimento.
Inspirador!

Valeu And, aprendi que um dos maiores segredos é aprender a lidar com os problemas da vida de outras formas. Daí tudo fica mais fácil.
Parabéns por ter chegado a dois meses, agora é força e foco pra chegar ainda mais longe! Very Happy

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Mas, afinal, quem é Vimes? Empty Análise de um Fracasso

8/8/2021, 09:49
O meu contrato atual tem me feito refletir muito sobre alguns lances de alguns anos atrás. Na verdade tenho pensado especialmente em um deles, em particular um contrato lá do longínquo ano de 2014.

Naquele ano fui chamado por uma conceituada agência pra trabalhar solo em um hotel em Maiorca. Entretenimento hoteleiro é tradicionalmente um trabalho em equipe, já que a energia de um ajuda a levantar a energia do outro nos momentos mais complicados. Trabalho solo é bem mais difícil. É só você, ninguém vai te ajudar, ninguém vai pegar as atividades que você tem mais dificuldade, ninguém vai te dar uma assistência moral. É muito, muito mais complicado e requer muito mais experiência.

Bão, aquele contrato de 2014 foi um desastre, um fracasso total. A agência me deixou lá sozinho, sem assistência nenhuma, e eu me senti perdido praticamente o tempo todo. Não sabia bem o que fazer, como fazer, não tinha o equipamento necessário pra trabalhar direito e tinha zero assistência do hotel. A coisa tava tão ruim que eu cheguei a pedir transferência pra agência pra qualquer outro hotel que fosse. Me disseram que não tinham nenhuma outra oportunidade. A situação piorou e, uma semana depois, eu acabei demitido.

Aquela foi uma experiência escrota, e eu passei muito tempo culpando a mim mesmo. Se eu tivesse me esforçado mais, se tivesse sido menos inseguro, se tivesse arriscado mais, se tivesse isso, se tivesse aquilo. Vocês sabem como é quando a gente se sente inadequado ou insuficiente.

Acelera o tempo aí até chegar nos dias de hoje. Tô trabalhando na Grécia em um trabalho solo, como daquela vez. Na verdade esse contrato é mais complicado do que aquele contrato de 2014. Mas agora o lance é diferente. Agora eu tiro de letra. Tudo aquilo que era difícil demais agora é moleza de se fazer. Tudo o que me deixava inseguro agora parece tão simples. A única diferença entre eu agora e eu em 2014 é a experiência. Eu agora tenho todas as ferramentas necessárias pra fazer um contrato desses. Eu agora estou pronto.

Antes eu simplesmente não estava.

Pois é, mas isso não impediu que a agência me mandasse pra um contrato solo, não é mesmo? Não impediu que a agência me vendesse ao hotel como alguém super preparado pra lidar com aquele tipo de situação. Não impediu que a agência mandasse alguém inexperiente pra uma situação que ele não saberia como lidar.

Hoje em dia eu analiso esse tipo de situação e a primeira coisa que me vem em mente é "como diabos esses imbecis mandaram alguém tão verde pra um contrato do tipo, achando que ia dar certo?" A verdade é que eles não sabiam. Não sabiam direito o que eu poderia fazer ou mesmo quem eu era. O mundo do entretenimento turístico é tão bagunçado, que a maioria das contratações vão na base da esperança mesmo, "manda esse sujeito e vamos torcer pra não dar merda".

Hoje em dia eu sou também um gerente, já formei e organizei diversos times de animadores turísticos, e eu nunca mandaria um dos meus animadores pra uma situação daquelas. Nenhum deles teria se dado bem naquele contrato. Não por falta de talento, mas simplesmente por não terem a experiência necessária pra fazer funcionar.

Eu passei anos me culpando por aquele fracasso.

Só que o fracasso era da agência. Não meu.

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Know, of course, your enemy. But in knowing him do not forget above all to know yourself. The commander who embraces this totality of battle shall win, even with the inferior force.

Diário:
https://www.comoparar.com/t4912-diario-de-vimes

História de Sucesso:
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Mas, afinal, quem é Vimes? Empty Re: Mas, afinal, quem é Vimes?

8/8/2021, 09:57
Por que eu resolvi compartilhar a historinha acima aqui? Por uma razão bem específica.

Muitos dos rebooters tem o péssimo hábito de ficarem se culpando e se martirizando. De ficarem valorizando seus fracassos, dando ênfase às suas inadequações. Só que ficar se culpando, como eu já disse antes, leva à frustração, e a frustração é a melhor amiga de qualquer vício.

Eu passei boa parte da minha vida me culpando pelo fiasco descrito acima. Só que agora eu tenho experiência suficiente pra entender que a cagada não era minha, eu só tive o azar de sofrer as consequências das cagadas dos outros.

Ou seja, eu desperdicei muito sentimento de culpa. Eu joguei fora muita autocrítica.

Se você é um que adora ficar se culpando, pare um pouco pra pensar. Quantos dos seus fracassos são realmente seus? E quantos deles são fracassos dos outros, que simplesmente estouram na sua cabeça? Já parou pra analisar?

Aprender com os problemas da vida é algo prático e produtivo. Perder tempo se culpando e se martirizando é só perda de tempo e perda de saúde mental.

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